Sobre João Ubaldo Ribeiro
Segunda-feira, 9 Novembro 2009
Nasceu na Ilha de Itaparica, Bahia, em Janeiro de 1941. Em 1947 inicia estudos com um professor particular. Seu pai, advogado, professor e político, não suportava ter em casa um filho analfabeto. Prestava contas ao pai diariamente das suas leituras, sendo algumas vezes solicitado a resumi-las e a traduzir alguns de seus trechos. Não tinha folga nem nas férias; nelas praticava latim e copiava os sermões do padre António Vieira.
Concluiu o curso de Direito mas nunca exerceu a profissão de advogado.
Em 1963 escreve seu primeiro romance, “Setembro Não Faz Sentido” impresso, com o apadrinhamento de Jorge Amado e, em 1971, lança Sargento Getúlio, merecedor do Prémio Jabuti concedido pela Câmara Brasileira do Livro. Segundo a crítica, esse livro mostrou-o herdeiro do melhor de Graciliano Ramos e do melhor de Guimarães Rosa.
Em 1979 publica o romance Vila Real. Muda-se com a família para Lisboa em 1981, graças a uma bolsa concedida pela Fundação Calouste Gulbenkian e aqui estabelece relações com alguns escritores portugueses. De regresso ao Brasil, publica a colectânea de contos Livro de Histórias (mais tarde republicado com o título de Já Podeis Da Pátria Filhos). Inicia a sua colaboração semanal no jornal O Globo, que espantosamente perdura até hoje.
Em 1984 publica Viva O Povo Brasileiro. O livro nasceu (ironiza o Autor) da recordação de uma frase de seu pai, quando se referia aos seus romances curtos: “Livro que não fica em pé sozinho, não presta.” Em 1987 recebeu os prémios Jabuti e o Golfinho de Ouro, do Governo do Estado do Rio de Janeiro, atribuídos a este romance. Em 1989 lança o romance O Sorriso do Lagarto e termina, em 1994, a adaptação cinematográfica de Tieta do Agreste, do seu amigo e conterrâneo Jorge Amado. O filme teve Sonia Braga como actriz principal e foi dirigido por Cacá Diegues. Na Feira do livro de Frankfurt, recebeu o Prémio Anna Seghers, concedido somente a escritores alemães e latino-americanos.
Recebeu também o prémio Die Blaue Brillenschlange – concedido ao melhor livro infanto-juvenil sobre minorias não-europeias — pela edição alemã de Vida e Paixão de Pandonar, o Cruel.
Em 1997 publica o romance O Feitiço da Ilha do Pavão.
Durante a IX Bienal do Livro – Rio de Janeiro, em Abril de 1999, lança o livro A Casa dos Budas Ditosos, um romance sobre a luxúria que obtém enorme sucesso de vendas, permanecendo mais de trinta e seis semanas nas listas dos mais vendidos. O romance foi publicado na Espanha, França e outros países. Em Portugal, duas redes de supermercados proibiram a venda nos seus estabelecimentos. Os protestos e a indignação generalizaram-se na comunicação social. O livro foi depois traduzido para inglês, nos Estados Unidos.
Desde 1993 ocupa a cadeira n.º 34 da Academia Brasileira de Letras. Em 2008 foi agraciado com o Prémio Camões, considerado o mais prestigiado galardão literário em língua portuguesa.




