JOÃO UBALDO RIBEIRO CENSURADO… DE NOVO

JORNAL-PUBLICO_3.5.2009COM UM INTERVALO DE 10 ANOS, O GRUPO DE SUPERMERCADOS AUCHAN (JUMBO) REPETE UM ACTO DE CENSURA SOBRE A LIVRE CIRCULAÇÃO DE UM ROMANCE DO ESCRITOR BRASILEIRO JOÃO UBALDO RIBEIRO, PRÉMIO CAMÕES DE LITERATURA, ACUSANDO O LIVRO DE PORNOGRÁFICO.

10 anos após ter impedido a venda nas suas lojas (Jumbo) do romance “A Casa dos Budas Ditosos”, do escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro, o Grupo Auchan reincide no mesmo acto censório, tomando decisão idêntica relativamente a uma nova edição, agora lançada no mercado pelas Edições Nelson de Matos. Juntando-lhe desta vez o romance Viva o Povo Brasileiro, “retido para apreciação e decisão” pelo responsável pelas compras do hipermercado (Sr. Fernando Fernandes).
Pelo conjunto da sua obra literária, na qual se incluem estes romances, João Ubaldo Ribeiro foi, em 2008, galardoado com o Prémio Camões, o mais importante prémio literário atribuído em língua portuguesa.

Do Júri deste Prémio (criado em 1988 pelos Governos de Portugal e do Brasil) fazem parte importantes intelectuais portugueses, brasileiros, e de outros países lusófonos. Em 2008, ano em que o Prémio foi atribuído a João Ubaldo, fizeram parte do júri Maria de Fátima Marinho, catedrática da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Maria Lúcia Lepecki, catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Marco Lucchesi, escritor e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, João Melo, poeta e jornalista angolano, e Corsino Fortes, embaixador e presidente da Associação de Escritores Cabo-verdianos. O prémio foi anunciado publicamente pelo Ministro da Cultura de Portugal, José António Pinto Ribeiro.

Este ano, a Feira do Livro de Lisboa terá como tema base o Brasil e a sua cultura, sendo esperadas diversas manifestações relacionadas com as relações entre a cultura portuguesa e a brasileira.
Neste contexto, esta interferência de um grupo de supermercados na livre circulação de uma obra de um escritor brasileiro com esta dimensão, além de ilegítima, é particularmente ridícula e inamistosa. João Ubaldo e a sua Família viveram em Portugal durante algum tempo a convite da Fundação Calouste Gulbenkian, o escritor tem em Portugal muitos amigos e relações variadas, após algum tempo de ausência do mercado, a sua obra começou este ano a ser republicada pelas Edições Nelson de Matos.
Considerar este seu romance como “pornográfico” demonstra a incapacidade interpretativa e a gaguez de espírito de quem se atreveu a tomar tal decisão. Mas, para além disso, impedir a circulação dos livros é um acto intolerável de censura que não pode ser consentido sem a adequada indignação e intervenção das autoridades.

Seman_rio_Expresso_25.04.2009“Só nos faltava, de novo, este atrevimento… um acto que envergonha todos os portugueses” – diz com indignação e sem mais comentários o editor português.

OUTROS COMENTÁRIOS:

“que o povo volte às livrarias e deixe os hipermercados prás margarinas.”
Beijos pra ti

Cláudia Moura
Jornalista da revista Notícias Magazine

http://wwwcontamehistorias.blogspot.com/2009/04/santa-ignorancia.html

http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/452633.html

http://ler.blogs.sapo.pt/

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