José Cardoso Pires

Sobre José Cardoso Pires

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@ Inácio Ludgero

Nasceu em 2 de Outubro de 1925 na aldeia do Peso, distrito de Castelo Branco.
Faleceu em Lisboa, a 26 de Outubro de 1998.
Considerado um dos mais importantes escritores portugueses contemporâneos, a sua obra foi traduzida em diversas línguas e distinguida com os seguintes prémios:

Prémio Internacional União Latina (Roma, 1991);
XXV Prémio Internacional Ultimo Novecento (Pisa, 1992);
Prémio Pessoa (Lisboa, 1997);
Prémio Vida Literária, da A.P.E. (Lisboa, 1998);
Prémio Bordallo de Literatura da Casa da Imprensa (Lisboa, 1998);

Além de outros prémios atribuídos a alguns dos seus livros:
O Hóspede de Job (1963)
Prémio Camilo Castelo Branco;
Balada da Praia dos Cães (1982)
Grande Prémio de Romance e Novela da A.P.E.;
Alexandra Alpha (1987)
Prémio Especial da Associação de Críticos do Brasil;
De Profundis, Valsa Lenta (1997)
Prémio Dom Dinis da Fundação da Casa de Mateus;
Prémio da Crítica da Associação Internacional de Críticos Literários.

Lavagante, Encontro Desabitado
José Cardoso Pires

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Colecção: Mil Horas de Leitura, n.º 1
6.ª Edição
Fixação do texto e revisão: Ana Cardoso Pires
Formato 13,5×20,9
N.º Págs. 92
Preço com IVA: €10,00
ISBN: 978-989-95597-1-4
EAN: 9789899559714

(…) Curiosidade. Pôr à prova um olhar, descobrir (melhor: verificar) um corpo que se imagina, aí está o que é a curiosidade do homem em certa altura da vida. Daniel sabia isto, conversámos sobre o assunto várias vezes. Duma delas recordo-me de o ter ouvido: – Ao fim e ao cabo, as mulheres é que escolhem o momento e os termos da ofensiva. Meditam tudo em casa e passado tempo acabam por confessar: «Naquele dia, sabes, eu tinha resolvido…» (…)

(…) naquele dia, 2 de Maio, a multidão da Baixa andava alheia aos céus e às águas luminosas do Tejo: olhava as fachadas dos edifícios salpicadas de balas. Operários dos subúrbios e casais de vida repousada desceram, curiosos, dos seus bairros para visitarem as ruas onde se tinham dado os motins da véspera. Apesar dos comunicados do Governo, apesar das patrulhas e dos quartéis armados até aos dentes, a revolta rompera no coração da cidade à hora marcada pelos microfones clandestinos (…)

(…) «Sei o que joguei, meu amor», lê-se, entre outras coisas, numa carta escrita há uma semana por Cecília. «Mas eu não podia suportar por mais tempo a ideia de estares fechado numa prisão, tu que tanto gostas de viver (…)

Este texto nunca foi publicado em livro. Uma sua primeira (?) versão, muito reduzida, foi publicada em Dezembro de1963, no n.º 11 da revista O Tempo e o Modo, pág. 30 (edição da Livraria Moraes Editores, Lisboa), com o título Um Lavagante e Outros Exemplares, com a menção, em Nota de Redacção, de que se tratava de “(…) um capítulo do seu próximo romance, ainda provisoriamente sem título”. Existem outras versões, manuscritas, sem data, uma delas com o título O Lavagante e a Mulher do Próximo. Existem algumas versões dactilografadas, também sem datas. Todas indiciam, pelas emendas, serem posteriores ao texto publicado em 1963. É também possível perceber que se trata de um texto anterior a O Delfim, publicado pela primeira vez em 1968, pela Livraria Moraes Editores. Talvez se possa concluir que se trata de um texto cujo trabalho de escrita, tal como se apresenta nesta versão final dactilografada directamente pelo Autor, foi sendo elaborado ao longo de vários anos, mais ou menos entre 1963 e 1968.

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Histórias de Amor, contos
José Cardoso Pires

JCP_HistoriasAmor Colecção: Mil Horas de Leitura, n.º 5
6.ª Edição
Revisão: Ana Cardoso Pires
Formato: 13,5×20,9
N.º Págs. 200
Preço com IVA: €19,00
ISBN: 978-989-95597-7-6
EAN: 9789899559776

A primeira edição deste livro foi publicada em Julho de 1952, pela Editorial Gleba, numa colecção de bolso intitulada Os Livros das Três Abelhas, dirigida por Victor Palla e Aurélio Cruz.

Foi retirado do mercado pela Censura em 26 de Agosto de 1952.

Tendo sido possível utilizar o exemplar onde estão sublinhadas a lápis azul as partes do texto que motivaram a apreensão da edição, indicam-se nesta edição esses sublinhados, mediante a sobreposição de uma rede de cinzento sobre o texto original, mantido sem cortes.
José Cardoso Pires nunca mais publicou este livro na sua versão inicial, embora o tenha mantido sempre na lista das suas obras completas.

Alguns destes contos (excepção feita a Romance Com Data que permaneceu sempre inédito) foram mais tarde reescritos e incluídos na edição de Jogos de Azar, publicada em 1963, pela Editora Arcádia.
Nesta edição conservam-se todos os contos na sua versão inicial.
José Cardoso Pires, então com 27 anos, decidiu reclamar da apreensão do livro junto dos Serviços de Censura. Primeiro, pessoalmente, tendo conseguido manter em seu poder o exemplar com a indicação dos cortes de censura que serviu de base a esta edição; depois, por escrito, logo em 26 de Outubro de 1952, através da carta que é conservada como anexo no final da edição.
Críticas de Mário Dionísio, Oscar Lopes e Luís de Sousa Rebelo, publicadas em 1952, são também conservadas, no final, como anexos a esta edição.

Na contracapa: reprodução de um óleo de Júlio Pomar, representando um retrato do Autor, datado de 1954.

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